Nas últimas semanas, enquanto preparava o protótipo do jogo para o primeiro playtest com outras pessoas, percebi algo que vinha evitando admitir...o jogo não estava funcionando!
Tive muito trabalho (no meu emprego regular) e pouco tempo livre para game dev. Mesmo assim, consegui implementar mecânicas importantes que ainda faltavam e polir algumas das que já existiam. Durante esse processo, passei dezenas de horas testando o protótipo. Quanto mais jogava, mais certeza tinha de que a experiência não refletia o projeto que eu queria criar.
A importância de um protótipo
Desde o início, entendi que seria importante criar um protótipo para validar minha ideia. Foi exatamente para isso que me planejei. Criei um protótipo jogável reunindo as principais mecânicas que pretendia levar para o jogo final. Implementei versões mínimas dessas mecânicas na Godot usando modelos 3D placeholders. Cada sistema, isoladamente, parecia funcionar. O problema começou a ficar evidente quando reuni tudo e passei a avaliar a experiência como um jogo completo.
Quanto mais jogava, maior era a sensação de que havia algo errado. No começo, não dei muita importância, mas esse incômodo continuou crescendo. Depois de pensar bastante, percebi que não havia apenas um problema isolado. O protótipo simplesmente não era divertido.
No estado atual do protótipo, a ambientação ainda não transmite a atmosfera onírica e emocional que imagino para este projeto. Os puzzles que deveriam ser intrigrantes e despertar curiosidade, mais parecem obstáculos a serem cumpridos. A história esta presente, mas não avançava com o ritmo necessário para sustentar a experiência.
As mecânicas existem, mas não formam o jogo que eu tinha imaginado.
Há certa ironia nisso, a primeira área trata justamente de negação. Durante algum tempo, eu também evitei admitir o que o protótipo já estava mostrando.
E como não percebi isso antes?
Acho que, em nossa cabeça, tudo funciona perfeitamente. Imaginamos as cenas, preenchemos mentalmente as partes que ainda não existem e acreditamos que nossas ideias são melhores do que realmente são. Por isso é tão importante tirá-las da imaginação e colocá-las no mundo real. Algumas ideias funcionam. Outras precisam mudar. E algumas simplesmente não são boas o bastante.
E agora, o que fazer?
Decidi encerrar esta versão do protótipo antes de iniciar o playtest externo.
Isso não significa jogar fora todo o trabalho. Parte do código, das ferramentas e do conhecimento adquirido ainda poderão ser reaproveitados. O que estou descartando é esta concepção da experiência.
Agora vou voltar à prancheta, revisar os pilares do projeto e construir um protótipo menor e mais direcionado. Antes de adicionar mais conteúdo, preciso validar três coisas fundamentais:
- se a ambientação transmite a sensação que procuro.
- se os puzzles despertam curiosidade e fazem parte do mundo.
- se a história avança em um ritmo que sustenta a exploração.
Não estou voltando ao ponto de partida. Agora tenho uma visão muito mais clara do que não funciona e do que o próximo protótipo precisa provar.
O protótipo atual não funcionou como jogo, mas cumpriu exatamente seu papel como protótipo.
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